Novo aperitivo italiano chega ao mercado brasileiro com perfil mais frutado e reforça a tendência de drinks leves para o fim da tarde.
Uma nova aposta no mercado brasileiro de bebidas colocou o spritz novamente em evidência nesta semana. A Pernod Ricard lançou no país o Ramazzotti Rosato, aperitivo italiano de 15% de teor alcoólico, com notas de hibisco e flor de laranjeira, pensado para o preparo de drinks refrescantes e de menor intensidade alcoólica que muitos coquetéis tradicionais. A novidade chega em um momento em que bares, restaurantes e consumidores procuram bebidas adequadas a ocasiões mais leves, especialmente no fim da tarde e início da noite. (Pernod Ricard)
Mas o que explica a força do spritz justamente agora? A resposta está menos em uma única receita e mais em uma transformação na maneira de consumir bebidas alcoólicas. Dados da IWSR mostram que os consumidores estão mais seletivos sobre quando e quanto bebem, enquanto categorias como aperitivos, bebidas prontas e opções de menor teor alcoólico encontram novas oportunidades. No Brasil, a movimentação também acontece em um setor de bares e restaurantes que segue buscando experiências capazes de combinar sabor, praticidade e maior variedade de ocasiões de consumo.
Por que o spritz está ganhando espaço entre os brasileiros?
O spritz tem uma característica que combina muito bem com o comportamento contemporâneo de consumo: é refrescante, visualmente atraente e relativamente simples de preparar. A receita tradicional pode combinar um aperitivo, espumante e água com gás, geralmente servidos com gelo e algum elemento cítrico ou aromático. Essa simplicidade permite que o drink seja reproduzido em bares, restaurantes e até em casa sem exigir uma longa lista de ingredientes ou técnicas complexas de coquetelaria.
A chegada do Ramazzotti Rosato reforça justamente essa lógica. Segundo a marca, o aperitivo possui notas de hibisco e flor de laranjeira e pode ser utilizado em uma preparação de spritz com partes iguais do produto e de espumante brut ou seco, completadas com água com gás e laranja. O perfil mais frutado e menos amargo busca dialogar com consumidores que talvez não tenham familiaridade com aperitivos italianos tradicionalmente mais intensos. (Pernod Ricard)
A estratégia também acompanha uma tendência internacional identificada pela IWSR, consultoria especializada no mercado de bebidas. Segundo a entidade, o momento de consumo no início da noite vem ganhando relevância em diferentes mercados, favorecendo aperitivos e bebidas mais leves, especialmente em encontros informais antes do jantar. A análise aponta que o chamado “aperitivo occasion” cria oportunidades para spritz, vinhos espumantes e outras bebidas de menor graduação alcoólica. (IWSR)
No Brasil, essa lógica encontra terreno fértil porque o happy hour já faz parte da cultura urbana. A diferença é que o consumidor não precisa necessariamente escolher entre cerveja e um coquetel clássico elaborado para encontrar uma experiência intermediária. O spritz ocupa justamente esse espaço, podendo acompanhar petiscos, entradas, refeições leves ou simplesmente uma conversa no fim do expediente. É uma bebida que transforma o momento de consumo em parte importante da experiência gastronômica.
O que a nova onda de spritz revela sobre o mercado de bebidas?
A aposta no spritz não acontece isoladamente. A indústria mundial de bebidas alcoólicas passa por uma transformação na qual conveniência, teor alcoólico, sabor e ocasião de consumo ganharam peso nas decisões do consumidor. A IWSR registrou que o volume global de bebidas alcoólicas caiu 2% em 2025, terceiro ano consecutivo de retração, mas algumas categorias apresentaram desempenho diferente: as bebidas prontas para consumo, conhecidas como RTDs, cresceram 3%, enquanto produtos sem álcool também permaneceram entre os segmentos positivos. (IWSR)
Esse cenário ajuda a explicar por que fabricantes estão procurando novas formas de apresentar bebidas conhecidas. O consumidor não necessariamente abandonou o álcool, mas está escolhendo com mais cuidado o momento, a intensidade e o formato da experiência. Um spritz pode ser interessante justamente porque oferece uma alternativa para ocasiões nas quais uma cerveja ou um drink destilado mais forte não parece adequado. A bebida passa a competir não apenas por sabor, mas pela ocasião em que será consumida.
A tendência também interessa diretamente aos bares e restaurantes. Durante a Semana da Alimentação Fora do Lar, realizada em São Paulo entre 14 e 18 de setembro, bebidas, coquetéis e cartas de vinhos fizeram parte de uma programação que reuniu profissionais e empresas do setor. A Abrasel destacou que o evento Melhores da Taça, realizado dentro do Salão Abrasel, reuniu representantes dos universos de vinhos, cervejas e coquetéis, mostrando como as bebidas estão integradas à estratégia de experiência dos estabelecimentos. (Abrasel)
Para o restaurante, uma carta de bebidas bem construída pode cumprir funções que vão além de acompanhar a comida. Drinks de preparação relativamente simples ajudam a criar identidade, aumentar a variedade da carta e oferecer opções diferentes para clientes que frequentam o mesmo estabelecimento em horários distintos. O spritz também favorece apresentações visuais marcantes, o que pode contribuir para a experiência compartilhável nas redes sociais. Em um mercado no qual bares e restaurantes disputam atenção e precisam criar motivos para o consumidor retornar, esse aspecto ganhou importância.
Como o brasileiro pode explorar o spritz em casa e na gastronomia?
A popularização do spritz também abre espaço para uma relação mais criativa entre bebida e comida. Por ter acidez, carbonatação, aromas florais e perfil refrescante, dependendo do aperitivo escolhido, o drink pode acompanhar entradas, frutos do mar, saladas, queijos frescos, embutidos e pratos de inspiração mediterrânea. Preparações com ingredientes brasileiros também podem funcionar bem, especialmente quando frutas cítricas, ervas e elementos tropicais entram na composição. A ideia não é transformar o spritz em uma receita rígida, mas utilizar sua estrutura como ponto de partida para diferentes interpretações.
Para preparar uma versão em casa, o princípio é relativamente simples. Uma taça grande recebe bastante gelo, seguida pelo aperitivo e pelo espumante, com água com gás para completar e uma guarnição aromática. No caso do Ramazzotti Rosato, a sugestão divulgada pela marca utiliza partes iguais do aperitivo e do espumante, além de água com gás e laranja. A proporção pode ser ajustada de acordo com a preferência de cada pessoa, mas preservar o equilíbrio entre doçura, acidez, amargor, aroma e diluição é fundamental para que o resultado não fique pesado. (Pernod Ricard)
O contexto brasileiro ainda oferece uma vantagem: a diversidade de ingredientes. Maracujá, limão, laranja, caju, acerola, capim-limão, manjericão e outras frutas e ervas podem inspirar releituras, desde que utilizadas com equilíbrio. Restaurantes e bares podem explorar essas combinações para criar versões próprias, conectando uma técnica de inspiração italiana aos sabores locais. Esse tipo de adaptação é uma das características mais interessantes da gastronomia contemporânea, na qual referências internacionais ganham identidade quando encontram ingredientes e hábitos de cada país.
O preço e a disponibilidade também influenciam a popularização da categoria. O Ramazzotti Rosato chegou ao Brasil em garrafas de 700 ml, com preço médio informado de R$ 52,90, e distribuição anunciada em bares, supermercados e comércio eletrônico. A presença em diferentes canais amplia as possibilidades de consumo e permite que o produto seja experimentado tanto em ambientes profissionais quanto domésticos. (UOL)
A nova aposta no spritz mostra, portanto, que a transformação do mercado de bebidas não depende apenas do lançamento de produtos. Existe uma mudança maior acontecendo na relação entre bebida, horário, comida e sociabilidade. O consumidor busca cada vez mais opções adequadas à ocasião, e o spritz encontrou um espaço particularmente interessante entre a cerveja tradicional e a coquetelaria mais intensa. Para bares, restaurantes e apreciadores de gastronomia, a tendência abre caminho para novas harmonizações e interpretações brasileiras. E, para quem gosta de transformar o happy hour em uma experiência gastronômica, a taça com gelo, borbulhas e aromas florais promete continuar aparecendo cada vez mais nas mesas. (IWSR)
