Coquetéis prontos ganham força no Brasil e reduzem espaço da cerveja tradicional

Diego Rodríguez Velázquez Por Diego Rodríguez Velázquez
Coquetéis prontos ganham força no Brasil e reduzem espaço da cerveja tradicional

Consumo de bebidas muda no Brasil e impulsiona crescimento dos drinks prontos

O comportamento do consumidor brasileiro está passando por uma transformação significativa no mercado de bebidas. Dados de 2025 mostram que, enquanto o consumo de cerveja registrou uma queda de 5%, os drinks prontos para beber (RTDs, na sigla em inglês para Ready To Drink) seguem em forte expansão. A praticidade, a variedade de sabores e a busca por novas experiências de consumo estão entre os fatores que explicam o avanço dessa categoria, que vem conquistando espaço entre diferentes perfis de consumidores e ganhando relevância nas estratégias das fabricantes.

Um mercado que já movimenta bilhões

Segundo projeções da Market Research Future, os RTDs alcoólicos movimentaram cerca de US$ 2,2 bilhões, o equivalente a R$ 11,8 bilhões, no Brasil em 2025, um avanço de 4,5% sobre 2024, com expectativa de ultrapassar US$ 3,4 bilhões até 2035. A consultoria Nielsen aponta que a categoria cresceu mais de 60% nos últimos anos no país, e durante o Carnaval de 2026 a venda desse tipo de bebida em bares e festas subiu 94%, de acordo com dados da plataforma Zig. Quetzalli

O crescimento não é uniforme. Dentro do universo dos drinks prontos, existem dois perfis bem diferentes convivendo sob o mesmo nome: o RTD popular em lata, herdeiro dos tradicionais “ice”, e o RTD premium engarrafado, feito com destilado de qualidade e fruta de verdade. É justamente nesse segundo grupo, o dos coquetéis prontos mais sofisticados, que está o avanço mais expressivo, puxado pela premiumização do setor e por uma cultura de coquetelaria cada vez mais presente entre os brasileiros.

Por que a cerveja está perdendo espaço

Vários fatores explicam essa migração de consumo. A praticidade das latas, a variedade de sabores e o perfil das gerações mais jovens, que bebem menos, porém com mais critério, ajudam a puxar essa mudança. Há ainda um movimento de moderação que vem se consolidando entre consumidores mais atentos à saúde, o que abre espaço tanto para bebidas de menor teor alcoólico quanto para versões com composição mais limpa, sem excesso de açúcar, corantes ou aromas sintéticos, um ponto que historicamente pesava contra a reputação da categoria.

Ainda assim, o Brasil está longe de esgotar esse potencial. Enquanto os drinks prontos já representam 10,7% do consumo de álcool na América do Norte, no país essa participação é de apenas 1,8%, segundo levantamento da consultoria Diageo. É um espaço considerável para o setor crescer, especialmente se as marcas conseguirem equilibrar sabor, praticidade e uma composição mais transparente.

O que esperar dali para frente

Para bares, distribuidoras e o próprio consumidor, a tendência indica que os coquetéis prontos deixaram de ser um nicho e passaram a ocupar um espaço permanente nas prateleiras e nos cardápios. A aposta do setor para os próximos anos é justamente ampliar essa premiumização, unindo praticidade a ingredientes de qualidade reconhecível, o que deve consolidar de vez a categoria como uma alternativa real diante da queda no consumo de cerveja.

Fontes consultadas:
https://quetzalli.com.br/blogs/tendencia/drink-pronto-tendencias-crescimento
https://centraldovarejo.com.br/tendencias-para-o-mercado-de-bebidas-alcoolicas-para-2026/

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