Conforme pontua o gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006, Gianmarco Marchetti, o bleisure se tornou uma tendência concreta no turismo. O termo nasce da fusão entre business (trabalho) e leisure (lazer) e descreve uma viagem de negócios estendida com dias de descanso. Ou seja, o profissional embarca para uma reunião, uma feira ou um treinamento e permanece no destino para conhecer a cidade. Esse hábito já influencia a rotina de hotéis, empresas e viajantes. A seguir, detalharemos o conceito, os motivos do seu crescimento e o seu efeito sobre a demanda hoteleira.
O que é bleisure e como funciona na prática?
Imagine uma analista que viaja a Curitiba para um congresso de dois dias. Ela estende a estadia até o domingo por conta própria, passeia pela cidade e só então volta para casa. Esse roteiro resume o conceito: a viagem nasce de um compromisso profissional, porém parte da estadia serve ao lazer. O vínculo com a empresa permanece, e o viajante decide como ocupar os dias extras.
Isto posto, o diferencial está na autonomia do viajante, que transforma um deslocamento obrigatório em escolha pessoal. Por isso, o bleisure não se confunde com férias comuns. Segundo o administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., Gianmarco Marchetti, ele ocupa um território intermediário, em que a agenda de trabalho e descanso dividem o mesmo calendário de viagem.
Por que o bleisure cresce entre os profissionais?
Vários fatores impulsionam esse movimento, e todos dialogam com mudanças no mercado de trabalho. A flexibilidade conquistada nos últimos anos alterou a forma como as pessoas planejam deslocamentos. Quem trabalha de forma híbrida, por exemplo, já enxerga a viagem como uma oportunidade, e não apenas como obrigação. Tendo isso em vista, entre os principais motivos, quatro se destacam:
- Flexibilidade: o trabalho híbrido permite somar dias de descanso sem prejudicar entregas;
- Custo: a passagem paga pela empresa reduz o custo dos dias extras;
- Bem-estar: conhecer o destino ameniza o desgaste de viagens corridas;
- Preferência das novas gerações: profissionais mais jovens valorizam experiências, e não apenas salário.

Aliás, esses fatores se reforçam mutuamente: quanto mais a empresa confia na autonomia do colaborador, maior a chance de ele estender a viagem. Além disso, de acordo com Gianmarco Marchetti, o benefício atinge os dois lados, pois o profissional descansa melhor e a organização retém um talento mais satisfeito.
O efeito do bleisure sobre a demanda hoteleira
Para os hotéis, o bleisure alonga a estadia média e redistribui a ocupação ao longo da semana. Antes, os quartos enchiam de segunda a quinta, com movimento de negócios, e esvaziavam nos fins de semana. Agora, o hóspede corporativo pode estender a reserva até o domingo, preencher datas antes ociosas e consumir mais serviços, como restaurante, spa e passeios. O resultado é uma receita mais estável e menos dependente da sazonalidade do destino.
Como comenta o gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006, Gianmarco Marchetti, essa mudança exige que a hotelaria olhe para o calendário de forma diferente, pois a demanda de negócios passa a gerar também procura por lazer. Consequentemente, tarifas, pacotes e políticas de check-out precisam dialogar com esse perfil híbrido, que planeja a própria estadia e compara alternativas antes de decidir.
Quando a viagem de trabalho também serve ao descanso
Em última análise, o bleisure mostra que o tempo do viajante passou a valer mais do que o deslocamento em si. Quem entende essa lógica primeiro, seja hotel, seja empresa, conquista um hóspede mais fiel e uma reputação mais sólida. Assim sendo, o futuro do turismo de negócios pertence a quem oferece propósito e prazer no mesmo roteiro. E nessa equação, trabalho e descanso deixam de competir e passam a se complementar.
